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Reaprender a se comunicar

As marcas já não pertencem exclusivamente a seus donos e acionistas. Elas se tornaram um bem público. Como diz Eduardo Vasquez num artigo da revista B2B que leva o título “Internet social”, “as marcas terão de sair do feudo do marketing e o diálogo vai estar inserido na comunicação das empresas. Os consumidores em massa obrigarão as marcas a repensar o modelo de interação com o mercado”.

Essa ainda é uma meia verdade para a grande parte das corporações que só começarão a perceber a necessidade de interagir com as redes sociais quando elas passarem a interferir na relação com seus consumidores. Esquecem-se elas de que, se por um lado a opinião dos freqüentadores do Orkut ainda não consegue atingir diretamente os resultados das empresas, já alteram o bem maior delas – sua reputação. Como diz o artigo de Vasquez, “a quantidade de pessoas envolvidas com as redes sociais não só pode como vai, ao longo do tempo, criar sérios problemas de imagem, sim”. E nós, de comunicação, sabemos o mal que uma reputação ameaçada pode causar.

O autor segue seu texto constatando que “enquanto a figura de decisão não enxergar dados comprovados de que há interferência direta no balanço, continuará investindo em canais, lojas, contratação de vendedores e, vez por outra, vai parar e avaliar como ganhar dinheiro com esses conglomerados virtuais”. E sua preocupação com as redes sociais não vai além. Só quando os movimentos nascidos desses conglomerados virtuais chegam à mídia de massa, aos grandes veículos da imprensa, é que as empresas começam a se preocupar e a reagir. E aí pode ser tarde demais.

A mídia social, como argumenta Vasquez, ainda está na fase de provocar mais desconfiança do que credibilidade por parte das empresas, mas logo iniciará sua maturidade, insinuando-se no mundo socioeconômico. É para esse momento que as corporações têm de estar preparadas na sua comunicação. Hoje, mesmo que as corporações lancem discretos olhares simpáticos e interessados para as redes sociais e façam esforço para assimilá-las na sua comunicação, ainda continuam muito conservadoras na prática. Como diz Vasquez, dentro das empresas “a informação costuma fluir com lentidão ou, pelo menos, com rapidez menor do que a esperada e praticada pelos consumidores”. Esse fluxo de informações dentro das corporações e fora delas, com seus públicos, ainda observa uma hierarquia e uma ordem burocrática que não existem no ambiente das redes sociais.

Esse modelo virtual de comunicação com os consumidores não pode ser comparado aos meios clássicos de comunicação de massa nem pela extensão, nem pelo impacto. Ele cumpre outro papel que desafia a capacidade de inovação constante e de criação de novos conceitos de comunicação.

O autor do artigo define bem o que são as redes sociais. “Redes sociais são apenas uma ferramenta de comunicação e, portanto, não influenciam negócios. Pessoas influenciam negócios. Por isso mesmo, o real impacto desses conglomerados digitais nunca poderá ser medido já que o efeito que eles causam acontece totalmente fora do ambiente da empresa”.

Ele tem razão quando aponta as redes sociais como “pontos de contato” com quem realmente influencia os negócios – as pessoas, os consumidores. E, citando Vicente Mastrocola, professor da ESPM, Vasquez sugere a melhor forma de encarar a Internet social. Diz ele que as empresas preocupadas com sua saúde devem “enxergar a rede social não como algo que vai mudar a vida da empresa ou causar efeito imediato no lucro, mas é mais um ponto de contato para firmar ações de marketing, comunicação e novos negócios”. Ignorá-la pode significar a perda de espaço para o concorrente.


Fonte: Por Yara Peres - sócia e vice-presidente do Grupo CDN, in www.blogdayara.com.br

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