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A tirania da transparência

Consumidores buscam um planeta melhor enquanto a Web “vigia” as empresas. A Internet mudou, principalmente porque a humanidade está mudando. E a tecnologia cada vez mais interferirá na decisão de compra das pessoas, hoje preocupadas em preservar o planeta e ter sua saúde e bem-estar respeitados.

O Brasil ainda tenta seguir os moldes sócio-econômicos das sociedades mais maduras, mas os formadores de opinião brasileiros já seguem as tendências que vêm principalmente da Europa e dos Estados Unidos, onde cidadania e responsabilidade social fazem parte da cultura.

Da mesma forma que o mercado de capitais exige maior transparência e governança, consumidores bem educados já começam a decidir sua compra por marcas e produtos que demonstram preocupação com a origem da matéria-prima, o processo de fabricação e os canais de distribuição. E que sejam de empresas sustentáveis, éticas, com boas políticas para com seus funcionários e que apóiam as comunidades onde estão inseridas.

Sendo assim, a convergência de mídias, principalmente integração entre web e celular, servirá como uma espécie de “vigia” das corporações. A boa notícia é que as melhores práticas vão gerar conversação e boca-a-boca positivo, atingindo um número inimaginável de pessoas. Quem já faz parte do universo online saberá como tirar proveito dessas inovações para se posicionar como líder.

Como já acontece nos países mais avançados. A Timberland nos Estados Unidos faz uma espécie de “tabela nutricional” dos seus sapatos, ou seja, inclui nas caixas informações sobre onde tal par foi produzido, como foi feito e os impactos ambientais. No Japão, compradores se beneficiam de leitores de código de barra instalados em seus celulares para saber detalhes de toda a cadeia de produção antes de adquirir um determinado produto.

Na Inglaterra, a rede de supermercados Tesco adotou um selo – “carbon footprint” -- para todos os 70 mil itens vendidos em suas lojas. Dessa forma, os consumidores sabem o impacto de cada produto nas emissões de carbono. Já a GE planta uma árvore para cada uma das primeiras 10 mil pessoas que baixarem seu último relatório anual no site da companhia.

Em compensação, quem não “tomar conta do próprio quintal” estará mais exposto e precisará de um bom programa de gerenciamento de crise. Nos Estados Unidos, fotos no Flickr denunciam a falta de limpeza em lojas do Wal-Mart, enquanto no YouTube um vídeo mescla cenas de reportagens feitas pela Fox News e CNN sobre a invasão de ratos em uma franquia do KFC.

Imagine a facilidade de denunciar os erros -- e acertos -- das grandes corporações com o celular que a LG pretende lançar na Europa com conexão direta para o YouTube. A Nokia também está investindo na Kyte.tv. Sem falar que qualquer um no Twitter pode, via celular ou messenger, enviar notícias em tempo real para sua rede de relacionamento.

Mas não precisa muito para causar barulho. Graças a um celular qualquer, um passageiro do vôo 71/1970 da Continental Airlines de Amsterdã, na Holanda, para Newark, nos EUA, registrou o caos dos banheiros que vazaram no último dia 13 de junho. O episódio, conhecido como “Poop on a Plane” (coco no avião), virou blog e o autor parece disposto a infernizar a companhia aérea até obter algum tipo de ressarcimento.

No Brasil, as iniciativas de conteúdo colaborativo não param de crescer. Websites como Terra, IG e G1 já têm seções com notícias enviadas por leitores. A editora Abril aposta na FIZ.TV, que promete transmitir na TVA vídeos enviados para o blog da FIZ pelos próprios usuários. O blog Ta Difícil, da especialista em usabilidade Mercedes Sanchez, denuncia problemas em todos os tipos de páginas na Internet. Isso tudo só prova que o poder já está nas mãos das pessoas comuns.


Fonte: Por Thiane Loureiro, in www.jornaldacomunicacao.com.br

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