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Quanto vale uma informação?

Vivemos em uma era que muitas vezes não permite escolhermos as cartas do jogo, mas que nos possibilita definir como jogar com as cartas que temos. Hoje o mundo exige dos profissionais a descoberta do quanto é importante exceder, ousar e reconhecer as oportunidades na hora certa. Creio, portanto, que essa nova habilitação depende da disposição para rever o mundo exterior, captar a natureza das suas transformações e compreender seus mecanismos cada vez mais complexos. Mas a reinvenção permanente funda-se também no olhar para dentro de si, na investigação atenta das próprias qualidades e fragilidades. A verdade é que não existe progresso sem aprendizagem. Mas não confunda aquisição de conhecimento com retenção de informações. Um computador pode reter gigabytes de informação, mas isso não o faz, formalmente, menos ignorante e idiota que uma caixa de sapatos.

É importante notar que as empresas detêm muitos dados, mas que não se constituem em informações. Na verdade, informações são dados acrescidos de inteligência. Aí sim temos informações que poderão subsidiar julgamentos e decisões. Administrar bem um negócio ou mesmo a sua carreira depende da posse das informações adequadas quando oportunidades ou ameaças se apresentam.

"Conhecer" envolve uma complexa mistura de razão e emoção. Como evento puramente neurológico, reter uma informação é como levantar uma casa no castelo cerebral. "Conhecer" é muito mais do que isso. Equivale a escolher um território para esta residência, torná-la parte de uma cidade. Significa integrá-la na malha viária, dotá-la de sistemas de abastecimento de água e energia, criar compromissos de cidadania por parte de seus ocupantes.

No âmbito corporativo, existem hoje grandes bancos de dados. Guardadas num HD, essas informações não servem para nada. Quando interpretadas e utilizadas como parâmetros para a definição de novas estratégias, passam a ter valor inestimável.

Um exemplo: determinado gerente regional, de Palmas, no Tocantins, é um hábil negociador e fala fluentemente cinco idiomas. Mas de quê adianta manter esses dados no computador se não me disponho a traçar um plano para aproveitar melhor esse potencial? Nesse caso, a informação não tem valor. As fichas dos departamentos de Recursos Humanos acabam literalmente "mofando", quando as informações ali contidas não são utilizadas em benefício das empresas.

Ofereci um exemplo clássico, mas há outro mais próximo de nossa atual realidade de trabalho. Recentemente, criou-se o conceito de "fadiga da informação", especialmente devido à avalanche de notícias disponibilizadas pela internet. Esse informar-se de maneira obsessiva tem vitimado muitos profissionais, produzindo uma estranha dependência, associada a uma paralisante paranóia: "Tenho que saber de tudo ou serei passado para trás." Muitas vezes essa psicopatia moderna faz com que bons profissionais percam tempo e se tornem improdutivos. A informação é estrategicamente importante para as empresas, mas é necessário discernimento para regrar os hábitos deste tipo de consumo.

A chave para o uso das redes de informação é criar capacidade de seleção, julgamento e interpretação. Aristóteles foi um dos precursores da ciência moderna, ao classificar sistematicamente a natureza, distinguir os argumentos em tipos - fundando a lógica - e definir as categorias do ser. Separando as informações, Aristóteles facilitou a compreensão do universo de diversidades que nos cerca. Você deve estar se perguntando: "O que Aristóteles tem a ver com essa discussão?" E eu respondo que tem muito a ver. Para se viver num mundo mutante, onde a informação está em toda parte, é preciso que os dados sejam rapidamente categorizados, que se possa guardar o que é fundamental e jogar fora o que é desnecessário. E o conhecimento é a principal ferramenta nos sistemas de filtragem de informações.
Você pode achar que há conversa mole neste raciocínio, que Aristóteles nunca colocou em prática suas teorias. Não é bem assim. O filósofo dizia que o homem deve aperfeiçoar suas faculdades e transformar-se no que está destinado a ser: "Torna-te o que tu és." Curiosamente, Aristóteles foi o educador de Alexandre, aquele que se tornaria "O Grande". O estadista e general, dizem, era um dos piores alunos do sábio. Mesmo assim, pôde selecionar conhecimentos fundamentais nas campanhas de expansão de seu império. De certa forma, Alexandre foi o artífice de um dos primeiros processos de globalização na história da humanidade.

Portanto, saiba que é importante conhecer para selecionar, e que selecionar ajuda a aprofundar o conhecimento. Mas o processo não é tão simples assim. É necessário se ter ciência do que acontece no mundo, mas especialmente de como esses eventos refletem no mercado, na empresa, em nossa vida familiar. Depois, é preciso informatizar e reciclar domesticamente esses dados. O desafio consiste em transformá-los em uma planilha de cálculo, num novo catálogo de ofertas. É preciso transformar as informações em instrumentos de trabalho.


Fonte: Por Carlos Alberto Júlio, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9

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