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Sobre muros e catedrais

Recentemente, ao coordenar um trabalho muito profundo de desenvolvimento estratégico e humano em empresa de transportes resolvemos fazer um censo com a opinião de todos os colaboradores sobre os rumos da organização. Uma das perguntas era: "O que motiva você a trabalhar nesta empresa?".

Lendo as centenas de respostas , fiquei muito emocionado com a colocação de um motorista, que afirmou: "Minha motivação é ver o cliente 100% feliz; desta maneira, eu também fico 100% feliz". É claro que a afirmativa me causou um forte impacto. Quanta mensagem importante em uma só frase, principalmente vindo de uma pessoa humilde. Mais sério ainda, inúmeros colaboradores responderam: "Eu me motivo porque esta empresa é o sustento de minha família".

De imediato lembrei-me do ensinamento de Leon Tolstoi. Três pedreiros estavam trabalhando. Uma pessoa perguntou ao primeiro o que ele estava fazendo. Sua resposta foi seca. "Estou colocando tijolo sobre tijolo". Fez a mesma pergunta e o segundo respondeu: "Estou levantando um muro". O terceiro, com uma visão muito mais ampliada disse: Estou construindo uma catedral". O resultado não podia ser diferente. É evidente que o trabalho do terceiro pedreiro era muito melhor, muito mais rápido. Sua dedicação envolve uma visão mais elevada , e portanto, um comprometimento muito maior.

Fico apreensivo quando constato como existe tanta gente que na sua vida profissional está apenas colocando tijolo sobre tijolo, para sustentar a família. Confúcio nos ensinava há tanto tempo atrás, "coitado daquele que faz o que não gosta só assim ele tem que trabalhar".

No Brasil, o trabalho ainda é considerado por muitos como uma punição. Este paradigma foi formado há muito tempo atrás. A etimologia da palavra trabalho tem como origem o vernáculo "triplaliare" que era um instrumento de tortura da Idade Antiga. No século XXI, este entendimento não faz mais sentido. A relação burocrático-jurídica do "troco oito horas do meu dia por um cheque no final do mês "tem que ser trocada para a criação de uma parceria ganha-ganha dotada do sentido de criatividade e crescimento conjunto.

Este processo, entretanto, é um caminho de duas mãos. Do lado da empresa os líderes devem tomar a si a responsabilidade de criar um ambiente humano saudável e harmonioso onde trabalhar seja efetivamente um prazer. Sempre lembrando de que ele/ela tem de ter a inteligência sutil de combinar a competitividade e a felicidade.

Clima agradável não significa paternalismo, mas orientação, instigação. Bernardinho nos ensina que exigência elevada não é castigo, mas compromisso com a evolução. Diante de sua equipe o líder tem a missão de criar caminhos possíveis para a busca da motivação individual de seus liderados.

Como líder você tem este desafio. Sua equipe deve ser flexível, e capaz de mudando paradigmas, entender que o trabalho é uma forma humanamente correta de cumprirmos nossa missão terrena. O compromisso do crescimento deve estar aliado ao prazer da vida profissional. Para isto, é necessário uma subida de patamar na escala da nobreza. Você deve entender que está construindo catedrais.

O líder deve mostrar este caminho. Em conjunto devem entender qual é a sua catedral, a sua contribuição ao mundo. Aí sim, forma-se uma equipe vencedora.


Fonte: Por Marco Aurélio F. Vianna, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9

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