Pular para o conteúdo principal

Construnido pontes com o consumidor

A comunicação interativa, ou por diálogo, é tão antiga quanto o próprio homem. Antes da era da produção em massa, todo processo de comunicação era estabelecido através do diálogo pessoal e direto. Foi somente durante os ultimos cem anos que isso mudou radicalmente e pudemos assistir ao surgimento e crescimento da comunicação de massa, ou por monólogo. Afinal, não havia outro jeito de se comunicar com o grande mercado consumidor que havia se desenvolvido.

Hoje, graças à fantástica evolução da informática, e a brutal redução de custos ocorrida nesse setor, é possível novamente uma comunicação direta, individualizada, e interativa com cada um de nossos clientes, independente de seu volume, ou distribuição geográfica. Essa possibilidade traz para todos nós a chance de reiniciar com nossos clientes um diálogo que havíamos interrompido há um século atrás.

E o diálogo é, sem duvida, a mais eficiente das formas de comunicação. Eu posso garantir que nada é mais importante do que o diálogo na tarefa de persuadir. Por isso, empresas de todo o mundo estão cada vez mais interessadas, e investindo mais recursos, em ferramentas de comunicação que permitam a identificação de um potencial interessado no seu produto ou serviço, e que dêm início a um permanente diálogo e relacionamento individualizado com seus clientes.

Na verdade, todo processo de vendas, ou de marketing, tem como objetivo construir uma ponte de relacionamento com seus consumidores. E hoje, analisando essa engenharia do relacionamento, encontramos no mercado os mais diversos tipos de ponte construídas pelas empresas na busca desse encontro com seu público alvo.

Algumas pavimentadas e outras de terra, onde atravessar é sempre uma aventura. Há também as que, independente do tempo, são sempre estáveis e seguras enquanto outras, qualquer garôa ou crise, já se tornam bastante escorregadias. Outro caso comum é vermos pontes construídas pela metade, ainda em obras, e já solicitando, não o habite-se, mas o trafegue-se, antes de sua conclusão. Isso tudo sem falar das empresas que cobram um alto pedágio para esse diálogo, independente se antes, no meio, ou depois das travessia.

Optar se minha empresa quer estabelecer com seus clientes uma relação de monólogo ou mão única, ou abrir oportunidade para o diálogo através de uma via de duas mãos, é uma decisão aparentemente fácil, mas de difícil execução. Difícil por que não se trata de um problema técnico, mas sim uma decisão estratégica de longo alcance, e de profunda repercussão nos destinos da organização. E, infelizmente, existe muita empresa grande que, em vez de pontes, tem construído pinguelas na relação com seus clientes. Construções efêmeras e inconstantes, que fatalmente estão levando não ao diálogo, e sim ao bate boca com seu consumidor.

A simples atitude de remeter folhetos, contratar um ombudsman ou ter um depto. de telemarketing em sua estrutura não credencia nenhuma empresa como praticante do marketing interativo. Afinal, ele não se caracteriza por nenhuma dessas ações isoladas. É, antes de tudo, uma forma de encarar o mercado, uma postura ativa de priorizar o relacionamento permanente e crescente com seus clientes, buscando estabelecer uma relação estável e duradoura com o mercado. E o primeiro passo para essa postura, é entender que existem várias fases distintas no relacionamento com o mercado, e que cada uma delas possui características também distintas e especiais.

É preciso ficar bem claro que, cada pessoa tem em relação a determinado produto, diferentes estágios previsíveis e sequenciais de relacionamento. Essas fases vão desde a ignorância total sôbre a existência desse produto, passando pela consideração latente em conhecê-lo, pelo interesse em saber mais detalhes, pela atitude de ir à loja ou chamar um vendedor, até o estágio de já ser um proprietário ou usuário desse bem ou serviço. E para cada uma dessas fases, existem ferramentas e argumentações específicas.

Não faz nenhum sentido, portanto, nós nos comunicarmos da mesma maneira, usando uma mesma mensagem, através de um mesmo veículo, com pessoas que estão em diferentes fases ou estágios de relação com nosso produto.

Assim como no sexo, dizemos que o marketing interativo é mais dependente para seu sucesso da sequência, que da frequência. E quem já tentou no seu processo de abordagem alterar a sequência, sabe bem o que isso significa. Mais importante que falar com o público certo, é passar a mensagem certa, no momento certo, e na dose certa. E isso só a comunicação por diálogo permite. Desconhecer esse conceito, é como chegar em casa todos os dias e se apresentar novamente à sua esposa! E é isso exatamente o que fazem milhares de anunciantes na utilização maciça da propaganda tradicional, que utiliza apenas na sua análise os conceitos de alcance e frequência. Já o marketing interativo, através da comunicação por diálogo, permite utilizar três dimensões: alcance, frequência e sequência.

Outro ponto relevante para a construção dessa ponte de duas mãos, é que satisfazer o cliente é importante, mas não suficiente. Quanto mais me dedico ao aprofundamento dessa análise, mais claro fica que a busca da satisfação do cliente, até hoje considerada o objetivo maior de qualquer organização, começa agora a já não ser suficiente na acirrada disputa de mercado. Afinal de contas, atender bem, oferecer um bom produto, a preços adequados, e no prazo combinado deixou de ser um objetivo e passou a ser uma obrigação. Daqui para a frente, o fundamental é surpreender o cliente, ir além do combinado, ter uma relação repleta de surpresas. Só assim será possível conquistar, e principalmente manter, sua preferência. Como os conselheiros matrimoniais já vem dizendo há muitos anos, o elemento surprêsa, o fator inesperado, é um ingrediente indispensável para a manutenção de qualquer relação.

Com tudo isso, não apenas alguns, mas todos passam a entender que agradar e satisfazer o cliente é a nossa obrigação. Mas surpreendê-lo, ir além do esperado, isso é a nossa missão. E nessa missão a utilização do marketing interativo é fundamental.

Pessoas estão exigindo cada vez mais respeito a sua individualidade. Tanto das outras pessoas, quanto de marcas e produtos. Querem ser tratados como indivíduos, e não como massa ou grupos. Ao mesmo tempo em que tem medo de fidelizar relações de qualquer especie estão, na verdade, em busca de relacionamentos mais estáveis, num mundo cada vez mais instável. Pesquisas demonstram que, em períodos de incerteza, cresce a fidelidade em bens duráveis, e decresce em produtos de consumo de massa. Essa esquizofrenia aparente revela, no fundo, uma compensação psicológica de grande impacto no comportamento do consumidor, e que pode ser positivamente aproveitada pelas marcas e produtos empenhados na comunicação por diálogo.

Outra razão importante para a busca da fidelidade do consumidor, é que as pessoas estão vivendo mais tempo e começando a consumir mais cedo. A vida média de consumo dobrou nos últimos trinta anos. E com ela, dobrou também a importância e eficiência da comunicação por diálogo.

Fica claro, portanto, que tomar a decisão de utilizar o marketing interativo, iniciar um processo constante e crescente de diálogo com sua carteira de clientes, construir e aperfeiçoar data bases e mensurar resultados de cada ação implementada, transformaram-se em pontos chaves para todos nós.

É bom ressaltar, no entanto, que é muito mais fácil, dá muito menos trabalho, exige muito menos esforço manter a aura de qualquer organização através do monólogo. Ou seja, manter nossa relação com o mercado através de uma via de mão única, onde a comunicação é orientada num só sentido, e, por isso, com menos riscos.

O problema é que com o monólogo você ganha a admiração mas não a preferência. Ganha o respeito, mas não o carinho. E eu sinceramente não acredito que qualquer empresa possa ser bem sucedida daqui para frente, apenas conquistando a admiração e o respeito do mercado. Não é assim que se constroem as melhores pontes.


Fonte: Por Walter Longo, in walterlongo.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...