Pular para o conteúdo principal

Motivação que acaba em consumo

A motivação pelo consumo não pode ser definida por uma palavra. De uma forma geral, a motivação é tudo o que nos projeta a fazer ou querer coisas que não temos. Em palestra no 2º Seminário de Comportamento e Consumo, que aconteceu no Rio de Janeiro, o economista George Homer mostrou como as empresas usam esta motivação para adquirir mais clientes e aumentar o grau de valores agregados à marca.

Quando há uma compra, a indústria e o varejo vendem um produto ou serviço com algum tipo de valor agregado. Para o consumidor, este produto significa mais. Seus sonhos, desejos, sentimentos e necessidades podem estar reunidos neste objeto. Todo desejo normalmente trás com ele a idéia de novidade. Desta forma as lojas devem rever também o seu interior, pois seu espaço físico é de extrema importância para a decisão de compra.

O processo de mudança de uma loja deve ser visto como uma multi-dimensionalidade da marca, que oferecerá novas experiências para o cliente. Neste sentido, vale explorar qualquer ferramenta para trazer o consumidor para mais perto da marca. O fundador da GH & Associados, George Homer, sabe que despertar os sentidos das pessoas é uma forma eficiente de torná-lo fiel. “Dois destes sentidos não são físicos, que é o som e o aroma, mas ambos trazem lembranças para o consumidor”, conta.

Pontos de contato
A motivação de consumo segue uma linha de diversas vertentes, além dos sentidos. Muitas empresas investem cada vez mais em suas lojas para que elas possam oferecer esta motivação ao consumidor de forma sutil. Nestes espaços, as marcas proporcionam experiências reais com seus produtos, como paredes de escalada para testar os equipamentos que são vendidos na loja. Esta é uma demonstração que motiva a compra assim como uma degustação de produtos alimentícios. “A loja é um teatro interativo. Os atores são os produtos, o cenário é a arquitetura, o auditório são os consumidores e o personagem principal é o produto em exposição”, compara George Homer.

Um eterno conflito entre os casais é quando fazem compras em shoppings centers. Enquanto elas gostam de olhar cada vitrine, os homens preferem ver TV, comer, beber ou descansar. Para trabalhar com perfis diferentes sem estragar o ambiente favorável ao consumo, Homer cita o termo “estacionar o marido” (ou a mulher) que alguns estabelecimentos adotaram para não perderem clientela. “Muitas companhias estão pensando nisto. As empresas precisam levar a fachada para dentro da loja também”, afirma. Sabendo da competitividade presente no comércio mundial, a criatividade se torna aliada quando usada de forma eficiente para motivar a compra de um produto. “As lojas hoje não tem mais quatro paredes, agora são seis contando com o chão e o teto”, diz o economista.

É crescente o número de estabelecimentos que procuram inovar para motivar seus consumidores, mas inovar não significa aumentar o espaço físico. Segundo George Homer, as lojas não precisam mais ter corredores longos, com todos os produtos expostos. “Quanto maior a distância do corredor, mais rápido o cliente quer chegar ao fim”, ensina. O consumidor moderno vê a loja de frente para o fundo e todo este espaço pode ser usado para motivar o consumo.

Tendências
O grafismo é uma tendência e algumas lojas já usam, como a Ellus e a Daslu. Outra aliada fundamental da motivação é a tecnologia. Hoje é possível que o consumidor entre no provador e veja como ficará a cor da roupa durante a manhã, tarde e à noite. A Puma criou uma loja onde o consumidor pode montar o seu próprio tênis, de acordo com suas preferências.

Seguindo o caminho da inovação e criatividade, a marca de chocolate M&M desenvolveu a sua vitrine com base nos produtos em tamanho natural, aumentados por uma lente, mostrando seus personagens das campanhas em situações diversas. “Na verdade todos querem contar a sua experiência e não a dos amigos ou parentes”, aponta Homer.

De acordo com o executivo, a vitrine apresenta as seguintes funções: atrair o cliente, passar a imagem da loja e comunicar o que está acontecendo dentro da loja. “As vitrines devem passar ao cliente a sensação da descoberta, fazer com que eles digam UAU!”, completa.


Fonte: Por Thiago Terra, in www.mundodomarketing.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

H2OH! - um produto desacreditado que virou sucesso

O executivo carioca Carlos Ricardo, diretor de marketing da divisão Elma Chips da Pepsico, a gigante americana do setor de alimentos e bebidas, é hoje visto como uma estrela em ascensão no mundo do marketing. Ele é o principal responsável pela criação e pelo lançamento de um produto que movimentou, de forma surpreendente, o mercado de bebidas em 11 países. A princípio, pouca gente fora da Pepsi e da Ambev, empresas responsáveis por sua produção, colocava fé na H2OH!, bebida que fica a meio caminho entre a água com sabor e o refrigerante diet. Mas em apenas um ano a H2OH! conquistou 25% do mercado brasileiro de bebidas sem açúcar, deixando para trás marcas tradicionais, como Coca-Cola Light e Guaraná Antarctica Diet. Além dos números de vendas, a H2OH! praticamente deu origem a uma nova categoria de produto, na qual tem concorrentes como a Aquarius Fresh, da Coca-Cola, e que já é maior do que segmentos consagrados, como os de leites com sabores, bebidas à base de soja, chás gelados e su...

Omni aposta no marketing de rede

Nas tardes de domingo, em diferentes cidades do Brasil, milhares de pessoas vestem suas melhores roupas e se arrumam para ir às reuniões promovidas pela Omni International, empresa paulista que vende lojas virtuais. Recentemente, um desses encontros ocorreu num auditório no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O local é imenso, com espaço para acomodar até 1 000 pessoas. Vitrais com cenas da vida de Jesus Cristo indicam que o prédio abriga um templo religioso. Mas, durante a reunião, o palco dos pregadores cede espaço a homens e mulheres que fazem parte da comunidade Omni -- gente que comprou e também vendeu os sites da empresa. Sorridentes e bem vestidos, eles contam suas histórias de sucesso e profetizam uma trajetória de enriquecimento para quem se empenhar. Um dos apresentadores anuncia que já comprou um automóvel Audi. O outro, um Porsche. "Vocês podem ser vencedores", diz um dos palestrantes. "Só precisam de uma oportunidade." As reuniões têm como ...

Construtora pega carona com o Gugu

Há cerca de um mês, o empresário carioca Augusto Martinez, dono do grupo imobiliário AGM, foi convidado para um jantar entre amigos num elegante apartamento da avenida Vieira Souto, em Ipanema, o endereço mais caro do Rio de Janeiro. A comida estava boa, a conversa agradável, mas durante toda a noite Martinez ficou intrigado com a estranha familiaridade com que era tratado por um dos garçons, que insistia em chamá-lo de Augusto. Vasculhou a memória tentando se lembrar de onde eles se conheciam. Nada. "O senhor não me conhece, não", disse o garçom quando perguntado. "Mas eu conheço bem o senhor. Não perco seus programas." Aos 49 anos de idade, freqüentador da elite de empresários cariocas e dono de quatro empresas que faturam 300 milhões de reais por ano, Martinez recentemente descobriu o que é ser uma pequena celebridade popular. Desde maio deste ano, ele ajuda a apresentar um quadro quinzenal no programa Domingo Legal, de Gugu Liberato, no SBT. Batizado de Construi...