MSN no celular ameaça SMS das operadoras

Enviar uma mensagem de texto pelo celular virou uma atividade trivial. Seja para dar um recado, seja para marcar um encontro ou cancelá-lo, muita gente prefere mandar um SMS a fazer uma ligação. Nas Filipinas, país campeão no uso desse tipo de comunicação, cada usuário de telefone envia cerca de 700 mensagens de texto por mês. No Brasil, o número é bem menor. São apenas seis mensagens mensais — mas o volume delas cresce rapidamente. Mandar um torpedo custa alguns centavos, mas a soma do tráfego mundial de SMS é um negócio respeitável. De acordo com a empresa Acision, que fornece infra-estrutura para o tráfego de mensagens de 300 operadoras, a receita mundial com SMS deve chegar a 165 bilhões de dólares em 2011. Esse bolo, porém, pode parar de crescer. Uma série de serviços de mensagem instantânea, que já são largamente usados em computadores, está sendo introduzida nos telefones móveis e tem potencial para mudar o cenário de comunicação de texto via celular. As novas opções vão desde os conhecidos Windows Live Messenger (chamado simplesmente de MSN no Brasil), Yahoo! Messenger e Skype até novos serviços, criados especialmente para o mundo da telefonia móvel. O lucrativo negócio das mensagens de texto pode estar com os dias contados.

A grande diferença dos mensageiros para celular e o SMS tradicional está no preço. Um SMS avulso custa, no Brasil, cerca de 30 centavos. Com esse dinheiro, seria possível enviar cerca de 300 mensagens pelos sistemas semelhantes ao MSN, pois o preço é cobrado de acordo com o volume de dados trafegado — que é ínfimo no caso de frases curtas. Embora essa conta seja aproximada, pois os valores mudam de acordo com a operadora e os planos de cada cliente, não há dúvidas: existe uma maneira muito mais barata de trocar mensagens curtas de texto. “Quando o consumidor tem acesso à internet em seu celular, os custos de comunicação por texto caem drasticamente”, diz Matthew Froggatt, diretor do instituto de pesquisa TNS. Um estudo feito em 30 países pela empresa mostrou que as pessoas que utilizam comunicadores instantâneos no celular reduzem quase pela metade o uso de SMS. “As mensagens instantâneas móveis devem canibalizar o mercado de mensagens das operadoras”, concluiu o levantamento.

O impacto dos novos comunicadores para as operadoras brasileiras ainda não pode ser quantificado. Para ter uma experiência semelhante à do PC, é preciso instalar um programa, e nem todos os aparelhos em uso são sofisticados o suficiente para isso. Outro dado importante é que apenas metade dos 127 milhões de assinantes de telefonia móvel do país usa SMS. Mas, conforme os consumidores trocam celulares simples por modelos mais modernos e a rede de telefonia móvel de terceira geração de acesso à internet rápida expande-se, a tendência é que se usem mais serviços via web. Da mesma forma que o messenger ganhou espaço nos computadores substituindo o e-mail para conversas simples, poderia ganhar espaço nos telefones. De acordo com a consultoria Yankee Group, cerca de 3 milhões de brasileiros já usam serviços de comunicação instantânea, incluindo serviços de bate-papo. A estimativa é que esse número chegue a 8 milhões em 2012.

É de olho nesse mercado potencial que as empresas que dominam o mercado de mensagens instantâneas nos computadores estão fazendo a transição para os celulares — com a companhia de alguns novos concorrentes. A Nimbuzz, empresa fundada pelo holandês Evert Jaap Lugt, vai lançar, no final de maio, a versão em português para seu software. Qualquer pessoa que tenha uma conta na rede MSN pode usar o programa da Nimbuzz para levar a comunicação para o celular. Duas razões pesaram para a escolha do Brasil, diz Carlos Medina, diretor da Nimbuzz no país. Uma delas é o tamanho do mercado de celulares, o sexto maior do mundo. A outra é a popularidade de redes sociais como o Orkut e os comunicadores de PC, em especial o MSN, da Microsoft, o mais popular no país. “Esperamos chegar a 1 milhão de usuários até o fim do ano”, diz Medina.

Em outros países emergentes, os mensageiros móveis fazem bastante sucesso. Na África do Sul, a MXit lançou um mensageiro em 2005. Em menos de três anos, o serviço virou uma febre entre os adolescentes e já conta com mais de 8 milhões de usuários. Na rede da MXit, trafegam 210 milhões de mensagens por dia. Mesmo diante da possibilidade de perda de receitas, a operadora sul-africana Cell C abraçou o serviço: seus clientes não pagam nem sequer o tráfego de dados das mensagens instantâneas. Uma das vantagens de apoiar o comunicador é o potencial de ganho em outros serviços. “Não é raro algumas pessoas trocarem números de telefones nas salas de bate-papo e levar as conversas para troca de SMS ou ligações”, diz Herman Heunis, fundador da MXit.

No Brasil, as operadoras também apostam nessa idéia. Recentemente a Vivo fez uma parceria com a Microsoft para lançar celulares com um aplicativo que integra os serviços de e-mail e de mensagem instantânea da empresa americana. É cobrado um valor fixo para o tráfego ilimitado de dados. “O uso dos serviços de comunicação instantânea também pode estimular a troca de aparelhos, já que os mais modernos proporcionam uma experiência melhor”, diz Omarson Costa, gerente de negócios de serviços móveis da Microsoft para América Latina. A Claro negocia com o Yahoo! uma parceria semelhante. O investimento nessa integração se baseia na crença de que cada vez mais pessoas vão transferir funções do PC para o celular. Seja no Orkut, seja no MSN, os brasileiros já são um dos povos mais conversadores do mundo — e as operadoras sabem que de nada adianta resistir a esse movimento.


Fonte: Por Denise Dweck, in portalexame.abril.com.br
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