Pular para o conteúdo principal

O presidente da Ford e o sinal vermelho

Dia 02 de junho, o presidente mundial da Ford, Alan Mulally, afirmou que não sabe quando a empresa voltará ao lucro -- seu plano até agora era de que a empresa saísse do vermelho em 2009, mas a desaceleração do mercado automotivo americano está comprometendo o cronograma. Ex-presidente da Boeing, Mulally chegou à Ford em setembro de 2006, quando a montadora já enfrentava a crise que perdura até hoje. Entre 2006 e 2007, a empresa perdeu 15 bilhões de dólares -- apesar de ter demitido 40 000 funcionários e fechado 12 fábricas nos últimos anos. Ou seja, Mulally tem uma bela batata quente nas mãos.

Como comandar uma empresa nessas condições?

Em meio a toda pressão dos investidores, empregados, sindicalistas, jornalistas etc., Mulally tem que tomar diversas decisões difíceis diariamente. Outro dia almocei o executivo Rogélio Goldfarb, diretor de assuntos corporativos e comunicação da Ford para a América do Sul, e ele me contou que o presidente criou um sistema simples para ajudá-lo a definir quais os assuntos e decisões que deve priorizar. Semanalmente, Mulally faz uma reunião com os principais diretores da empresa. Nessas ocasiões, cada um deles deve apresentar de forma bem objetiva os assuntos em que estão trabalhando. Ao lado de cada item, devem colocar uma bola vermelha, amarela ou verde -- vermelho significa que aquele é um item crítico, amarelo que é preciso prestar atenção, verde que está sob controle. Mulally simplesmente ignora todos os assuntos pintados de verde -- ele acha que não vale a pena dedicar seu tempo ao que já vai bem.

Fica o exemplo: sobretudo em momentos de crise é bom que os executivos saibam separar o que merece sua atenção daquilo que pode ser delegado -- caso contrário correm o risco de perder tempo com detalhes, enquanto as coisas realmente importantes ficam de lado.


Fonte: Por Cris Correa - Blog Por dentro das empresas, in portalexame.abril.com.br

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A relação entre empresas e clientes

Atender as necessidades do consumidor é um dos princípios básicos do Marketing. E o que mais as pessoas precisam hoje, para além da relação de compra, é de relacionamentos positivos com uma marca. Especialistas apontam três requisitos essenciais na relação entre as empresas e seus clientes: confiança, diálogo e reconhecimento.

Alguns especialistas são categóricos em afirmar que nem mesmo o consumidor sabe o que quer. Por isso, toda empresa deve estar atenta para atender as demandas reprimidas. Mas, num cenário em que produtos e serviços são semelhantes, o que vai diferenciar uma marca da outra é a experiência positiva proporcionada em todos os contatos com um produto ou serviço.

A Coordenadora da Área de Marketing e Negócios Internacionais do Coppead/UFRJ, Letícia Casotti, informa que os antropólogos dizem que somos uma “sociedade relacional”. “Damos muita importância a relacionamentos e somos um povo fácil de estabelecer relacionamentos. Mas, por outro lado, observam-se empresas cada …

Compromisso, atitude valorizada na empresa

Entre as qualidades esperadas de um bom profissional, o compromisso ocupa uma das primeiras posições. Esta qualidade é, por si mesma, tão forte que torna impossível alguém tentar representar que a tem, quando na verdade faltam-lhe as atitudes que mostrem de fato a existência deste compromisso. Nas empresas, os proprietários e dirigentes a percebem e a valorizam como um dos pontos críticos para determinar a atuação de um funcionário.

Cada vez que agimos com sentimento de compromisso verdadeiro, criamos uma clareza e bem-estar. Ao agir de forma comprometida com uma empresa, honramos um compromisso conosco. Do mesmo modo, ao assumirmos um compromisso conosco, estabelecemos um compromisso com a empresa, respeitando o que entendemos ser importante para nós. Por isso, o comprometimento só pode ser obtido por estímulos internos.

As empresas querem pessoas de compromisso, pois é ele que traz uma sensação de segurança de que todos farão o melhor. O tempero que dá gosto, velocidade e eficácia ao…

Relações Institucionais em alta

No jogo de xadrez, a rainha circula por todas as casas, por causa de sua grande capacidade de movimentação. Nas empresas, os diretores de relações institucionais (RI) agem mais ou menos como essa peça-chave do jogo. São convocados a auxiliar presidentes e diretorias específicas a destrinchar situações variadas, de crises a grandes transações de mercado. É esse executivo que atua como interlocutor entre empresas, governos, bancos, mídia, sindicatos e lideranças comunitárias quando os interesses e a imagem de sua corporação estão em pauta. E vem ganhando importância com o aumento de negociações, fusões e altos investimentos em empresas brasileiras, que estão batendo recordes. Foram cerca de 700 operações só em 2007. As empresas estão fazendo grandes aquisições, tendo que participar de trâmites que envolvem órgãos, como o Conselho de Direito Econômico (Cade) e agências de regulamentação. O diretor de relações institucionais orquestra e participa de todas essas negociações, diz Hebert Ste…