O valor do bate-papo dentro do escritório

Um dos experimentos mais instigantes sobre o ambiente de trabalho vem sendo conduzido atualmente pelo laboratório de mídia do MIT, o Massachusetts Institute of Technology. O professor Alex Pentland desenvolveu um aparelhinho, nas dimensões de um crachá, que funciona como um sensor. O equipamento registra todos os movimentos dos funcionários de uma empresa e lista como e com quem cada um interagiu no expediente.

Pentland chegou a uma conclusão que colide com o senso comum: os funcionários que gostam de bater papo são os mais produtivos. O conteúdo da conversa, nesse caso, não é relevante. Pode ser sobre futebol, novela, fofocas, não importa o tema. O fato é que, de acordo com o resultado, aqueles que estabelecem contatos mais frequentes nos corredores, ao lado do bebedouro ou na sala de café têm um desempenho superior ao dos demais – o mesmo não vale para as conversas travadas em meio à realização de uma tarefa, que têm um efeito nefasto. Erram, portanto, os chefes que gostam de checar se todos os subordinados estão em suas mesas, de acordo com Pentland. De acordo com o professor do MIT, seria melhor, do ponto de vista da empresa, que fossem estimulados a conversar com seus colegas e a construir novas relações sociais.

Por que o bate-papo aumenta a produtividade?
Pentland ainda não tem uma resposta. Afirma acreditar que uma das razões seja de natureza emocional. “Se você não interage fisicamente com os colegas, torna-se mais frágil e inábil para lidar com o estresse e os solavancos do trabalho”, diz. Ele constatou baixa produtividade entre os que escrevem muitos e-mails, atividade que consome tempo e dispensa contato físico. Pentland supõe que, por também conversarem sobre questões de trabalho, entre outros assuntos, os funcionários acabam tendo acesso a insights que os ajudam a superar desafios profissionais. O equipamento desenvolvido por Pentland capta os movimentos mais sutis dos usuários. É possível saber, por exemplo, com quem trocam olhares. A entonação e a cadência da voz são analisadas por meio de algoritmos, que revelam a empolgação e a sinceridade dos interlocutores, por exemplo. Funcionários de grandes corporações, como a Nissan e a Cisco, já usaram o equipamento.

O objetivo do sensor é capturar o que Pentland chama de “sinais honestos”, mensagens inconscientes que as pessoas lançam a todo instante durante sua interação com o mundo. Uma realidade que não consegue ser desvendada por completo pelas tradicionais pesquisas de opinião, nas quais os entrevistados costumam dar respostas enviesadas sobre o próprio comportamento. Ele admite que, no futuro próximo, a engenhoca possa ser usada não apenas para melhorar a eficiência de uma empresa. Interessados poderão usar o equipamento para melhorar suas habilidades de comunicação, por exemplo. Saberão se falam demais ou se interrompem os interlocutores em momentos indevidos.

Além do sensor que ajudou a desenvolver, Pentland também estuda, por meio de algoritmos, os sinais deixados por celulares – pesquisa classificada como uma das dez tecnologias que mudarão nosso mundo, de acordo com ranking divulgado no ano passado pela revista Technology Review, publicada pelo MIT.


Fonte: Revista Época Negócios
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