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A escala ética das diferentes empresas

Anita Roddick, fundadora e atual presidente do conselho da Bodyshop, gigante internacional no campo dos cosméticos (faturamento superior a US$ 1 bilhão por ano) nos remete à essência fundamental do campo da administração. Em verdade, uma questão filosófica: para que existe uma organização? Qual o seu metavalor mais importante?

Esta reflexão, à primeira vista teórica, é de enorme importância, em um contexto no qual o número de pequenas, micros e médias empresas vão aumentar continuamente. Os milhões de novos empreendedores que vão abrir seus negócios nestes próximos anos precisam determinar que morfologia ética estará desenhada, implantada e disseminada na sua empresa.

Isto vale também para as médias e grandes empresas já existentes. Para tanto, é importante adotar a premissa de que temos a possibilidade de escolha do nosso papel, de nossa missão. Respeitar uma moralidade do bem ou partir para atitudes antiéticas estão dentro das variáveis sob o controle de um líder empresarial. São assim, portanto, opções estratégicas dentro do campo de análise de nossas matérias. Se um determinado segmento, como um todo, apresenta regras de conduta "mais heterodoxas" pode perfeitamente ser preterido por outro ramo de atividade, onde seja possível a existência de um efetivo padrão ético.

Em função desta opção cultural e estratégica, desenvolvemos a Escala Ética das Empresas (importante registrar que são atividades com fins lucrativos) a qual com oito estágios, pode servir como painel e referência de monitoramento para líderes atuais e futuros:

Estágio 1. Empresas criminosas: são aquelas cujo produto final redunda em crime na área do Direito Cível. Narcotráfico, fabricação de remédios falsificados, crime organizado e utilização de mão-de-obra escrava e infantil são apenas alguns exemplos.

Estágio 2. Empresas predatórias: são aquelas cujo resultado final é negativo para o universo e a humanidade, muitas vezes sendo cometidos crimes nas instâncias do Direito Trabalhista, Comercial e Fiscal. Desrespeito ao meio ambiente, lavagem de dinheiro, dolo ao consumidor, não-obediência aos direitos trabalhistas e participação em corrupção são apenas alguns dos casos aqui incluídos.

Estágio 3. Empresas capitalistas selvagens: sem prejudicar o mundo, obedecem somente à ética do lucro, utilizando todas as brechas legais para maximizar seus resultados.

Estágio 4. Empresas capitalistas: obedecendo à legislação de maneira até ética, têm como único objetivo o lucro. Clientes, empregados, comunidade, parceiros são apenas meio para maximizar resultados econômicos.

Estágio 5. Empresas humanas: são aquelas voltadas exclusivamente para seu próprio ambiente. Utilizando métodos behavioristas motivam seus funcionários para melhorar seus resultados, em relação direta de causa e efeito. Pensar no mundo como um todo, nem imaginar

Estágio 6. Empresas sócio-utilitaristas: são aquelas que executam ações sociais, no âmbito interno e externo da organização, com o único objetivo de melhorar sua imagem, dentro de uma ética de egoísmo e interesse individual.

Estágio 7. Empresas cidadãs: entendem sua missão e causa mais elevada de agregar valor ao universo e à humanidade, encantando clientes, desenvolvendo seus seres humanos, apoiando a comunidade, e claro, atingindo resultados como conseqüência deste leque de atitudes mais nobres.

Estágio 8. Empresas divinas: invertem os papéis tradicionais e o bem passa a ser seu objetivo prioritário, mesmo prejudicando seu resultado econômico. O negócio é uma mera estratégia para seu objetivo maior. Por isto, começamos este texto com o Bodyshop. Vender produtos é uma ferramenta para desenvolver profundas ações nos campos sociais e do meio ambiente. Um belo exemplo para a maioria das empresas no Brasil situadas nos estágios 3 e 4.


Fonte: Por Marco Aurélio Ferreira Vianna, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 11

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