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Campanhas publicitárias apostam cada vez menos nas celebridades

O poder conquistado pelos consumidores e a perda de influência dos especialistas são as duas faces de um dos fenômenos mais notáveis da internet. No universo virtual, as pessoas comuns passaram a ter um palco de dimensão global para opinar sobre os assuntos mais variados. A troca de informações entre elas se tornou mais importante para o futuro de um produto e de um serviço do que os comentários dos experts. Esse comportamento levou recentemente a Associação Médica Britânica a emitir um alerta. "A quantidade excessiva de conselhos médicos que agora está disponível na internet tornará difícil para o público distinguir entre informações duvidosas e de qualidade", afirmou a associação.

Quais as conseqüências disso para o mundo dos negócios? O consultor americano Arnold Brown, que tem entre seus clientes corporações como General Motors, Ford, American Express e 3M, acredita que essa realidade transformará o marketing das empresas. Em um recente artigo publicado na revista americana The Futurist, ele prevê que campanhas que usam celebridades, como esportistas e artistas de TV e cinema, aos poucos perderão eficiência. A credibilidade será conquistada graças à manifestação de pessoas comuns, cujo testemunho será visto como um aval poderoso a produtos e serviços.

Campanhas como a da real beleza, que promove os produtos de higiene e beleza da Dove, devem se tornar padrão no marketing global, de acordo com Brown. Criada por inspiração da executiva brasileira Silvia Lagnado, vice-presidente da Unilever em Londres, as peças publicitárias viraram, nos últimos anos, um sucesso mundial, ao usar mulheres normais, em vez de modelos, para mostrar os benefícios dos produtos da marca.

Brown diz acreditar que as empresas precisarão montar fóruns na internet para estimular a manifestação de seus consumidores e criar incentivos para que clientes satisfeitos com seus produtos passem a contagiar de entusiasmo o grande público. A reputação de uma companhia dependerá como nunca da reação dos clientes, que exercitarão cada vez mais seu poder - o que exigirá uma preocupação constante com a qualidade de tudo o que sai de suas fábricas. Tais idéias se chocam com a tese do escritor inglês Malcolm Gladwell defendida no best-seller O Ponto de Desequilíbrio, segundo a qual grandes fenômenos de marketing começam sempre em pequenos grupos de pessoas influentes. De acordo com Arnold Brown, o sociólogo americano Duncan Watts, da Universidade Columbia, tem razão ao afirmar que uma "epidemia social" ocorre mesmo sem que uma minoria influente dê o pontapé inicial. O que vale é a troca de opiniões entre pessoas comuns, que tem o potencial de se converter num enorme fenômeno global.


Fonte: epocanegocios.globo.com

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