Confesso que nunca pus um cigarro na boca em toda a minha vida. E mais ainda, não lembro de ter dado sequer uma tragada. Creio que quando meus amigos começaram a fumar no colégio eu estava sempre ocupado jogando bola ao cesto. Até hoje.
Por que estou contando isso? Há alguns dias, estava entrando no escritório de uma empresa, e me deparei com um espetáculo que não deixa de ser chocante apesar de habitual. Cerca de 20 a 30 pessoas se aglomeravam em volta de cinzeiros no local onde a dita empresa estabelecera o "fumódromo", na parte externa do prédio. Sob o ponto de vista estritamente trabalhista, fiz a mim mesmo uma série de perguntas que posso resumir muito bem em uma só: quanto custa a uma empresa um empregado fumante? Como hoje em dia existem estatísticas sobre todos os assuntos, não me foi difícil encontrar as informações que precisava.
Na Espanha há mais de sete milhões de empregados fumantes. Desses, dois entre três trabalham em edifícios. Desde a polêmica lei antitabagista, estabelecida há mais de dois anos, o que antigamente se resumia em ir até a máquina de café e fumar um cigarro se converteu, no momento, em uma excursão até a rua para satisfazer o vício. Ou seja, a lei transtornou a relação tabaco/meio de trabalho, extrapolando um problema que antes era só dos colegas - entre os fumantes e os não fumantes. Agora trata-se de um problema empresarial.
Voltando à pergunta anterior, e segundo dados de determinadas empresas de consultoria especializadas em gestão e controle de tempo, assim como da própria Comissão Nacional de Prevenção ao Tabagismo (CNPT), a média de minutos diários que um trabalhador dedica a fumar é de 25 a 47. Em percentuais, isso significa que cerca de 5% da jornada de trabalho é dedicada a fumar ou, o que vem dar na mesma, mais de duas semanas ao ano.
Não estamos nos referindo à "pausa para o cafezinho" em jornadas continuadas. Por outro lado, o funcionário fumante permanece ausente do trabalho uma média de 2 a 5 dias a mais que seus colegas não fumantes, além de gerar um custo adicional para a empresa relativo à limpeza, de €300 ao ano.
A própria CNPT destaca que cada fumante custa para suas empresa uma média de € 1,546 ao ano, o que equivale a um gasto anual de € 7,840 bilhões em toda Espanha. A maior parte desse custo, ou aproximadamente € 6 bilhões, advém diretamente da perda de produtividade, ou melhor dizendo, dos períodos improdutivos causados pelas freqüentes pausas diárias para fumar. Uma norma bem intencionada como a Lei Antitabagista está gerando disfunções empresariais. Além disso, não é compreensível por que foi aplicada uma proibição total de fumar em locais de trabalho e não em restaurantes, bares e outros estabelecimentos de diversão. São perguntas sem resposta.
Fonte: Por Edaudo Ortega/ Expansión, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9
Por que estou contando isso? Há alguns dias, estava entrando no escritório de uma empresa, e me deparei com um espetáculo que não deixa de ser chocante apesar de habitual. Cerca de 20 a 30 pessoas se aglomeravam em volta de cinzeiros no local onde a dita empresa estabelecera o "fumódromo", na parte externa do prédio. Sob o ponto de vista estritamente trabalhista, fiz a mim mesmo uma série de perguntas que posso resumir muito bem em uma só: quanto custa a uma empresa um empregado fumante? Como hoje em dia existem estatísticas sobre todos os assuntos, não me foi difícil encontrar as informações que precisava.
Na Espanha há mais de sete milhões de empregados fumantes. Desses, dois entre três trabalham em edifícios. Desde a polêmica lei antitabagista, estabelecida há mais de dois anos, o que antigamente se resumia em ir até a máquina de café e fumar um cigarro se converteu, no momento, em uma excursão até a rua para satisfazer o vício. Ou seja, a lei transtornou a relação tabaco/meio de trabalho, extrapolando um problema que antes era só dos colegas - entre os fumantes e os não fumantes. Agora trata-se de um problema empresarial.
Voltando à pergunta anterior, e segundo dados de determinadas empresas de consultoria especializadas em gestão e controle de tempo, assim como da própria Comissão Nacional de Prevenção ao Tabagismo (CNPT), a média de minutos diários que um trabalhador dedica a fumar é de 25 a 47. Em percentuais, isso significa que cerca de 5% da jornada de trabalho é dedicada a fumar ou, o que vem dar na mesma, mais de duas semanas ao ano.
Não estamos nos referindo à "pausa para o cafezinho" em jornadas continuadas. Por outro lado, o funcionário fumante permanece ausente do trabalho uma média de 2 a 5 dias a mais que seus colegas não fumantes, além de gerar um custo adicional para a empresa relativo à limpeza, de €300 ao ano.
A própria CNPT destaca que cada fumante custa para suas empresa uma média de € 1,546 ao ano, o que equivale a um gasto anual de € 7,840 bilhões em toda Espanha. A maior parte desse custo, ou aproximadamente € 6 bilhões, advém diretamente da perda de produtividade, ou melhor dizendo, dos períodos improdutivos causados pelas freqüentes pausas diárias para fumar. Uma norma bem intencionada como a Lei Antitabagista está gerando disfunções empresariais. Além disso, não é compreensível por que foi aplicada uma proibição total de fumar em locais de trabalho e não em restaurantes, bares e outros estabelecimentos de diversão. São perguntas sem resposta.
Fonte: Por Edaudo Ortega/ Expansión, in Gazeta Mercantil/Caderno C - Pág. 9
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