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Na contramão mundial, ombudsmen perdem importância nos EUA

O papel do ombudsman - ou editor público - é ser os olhos e a voz dos leitores, ou ouvintes, ou telespectadores. O ombudsman ouve as preocupações do público, monitora o conteúdo produzido pelo veículo de comunicação, aponta os erros dos profissionais de imprensa e levanta debates preciosos para o bom funcionamento do jornalismo.

A importância do cargo cresce na América Latina, nas ex-nações soviéticas, na Índia e em partes do Oriente Médio. Nestes lugares, o ombudsman é visto como um "aspecto essencial para uma mídia independente em uma democracia em pleno funcionamento", diz Dvorkin. Nos EUA, entretanto, o posto parece correr perigo de extinção.

Há algumas semanas, o jornal americano Baltimore Sun anunciou que o cargo, ocupado por Paul Moore por quase quatro anos, seria abolido. Moore foi transferido para uma posição administrativa. O Sun alega que os leitores terão inúmeras oportunidades para expressar suas opiniões e interagir com o jornal - um blog será criado especialmente para isso. Dvorkin diz ter suas dúvidas quanto ao sucesso de ferramentas impessoais para este propósito.

Contato direto
Para ele, o público vê no ombudsman um contato direto e confiável com o veículo de comunicação. "Eu aprendi o valor de atender ao meu próprio telefone e a responder pessoalmente aos e-mails o mais rápido possível. Os ouvintes (e eu tive contato com mais de 750 mil deles) estavam ansiosos para interagir com uma pessoa de carne e osso. Eles queriam alguém que respondesse suas reclamações; queriam mais que uma resposta corporativa padrão", conta.

O Ombuds Blog, blog de uma organização que representa ombudsmen de outras áreas, questionou recentemente: "estão os ombudsmaen da imprensa em declínio?". Nos EUA, aparentemente sim. Segundo o blog, o número de organizações de notícias americanas que contam com o cargo diminuiu de 65 para 40 nos últimos cinco anos.

Ainda que haja experiências bem sucedidas com ombudsmen em grandes veículos, como nos jornalões New York Times e Washington Post, por exemplo, há muitas companhias de comunicação que ainda relutam em manter um profissional deste tipo. Dvorkin nota que há organizações que, em meio à crise financeira que atinge a indústria jornalística americana, consideram um luxo manter o cargo na redação e dizem não ter dinheiro para tanto. Há também editores que se mostram hostis ao posto, como se o ombudsman pudesse, de alguma forma, diminuir sua autoridade. Também com freqüência, editores e publishers alegam que não adotam o cargo por orientação do departamento jurídico da empresa, pois podem ser prejudicados em processos legais.

Dvorkin refuta todas as explicações acima. Um estudo conduzido pelo jornal britânico Guardian revelou que os custos com processos diminuem - em até 30% ao ano - quando há um ombudsman na equipe. "Esta economia seria suficiente para custear o cargo do ombudsman", brinca. Além disso, pesquisas mostram que manter um ombudsman aumenta a credibilidade e o respeito da comunidade pelo veículo de comunicação.

Ouvir o público
Dvorkin lembra de sua própria experiência para defender a importância do cargo. "Ser ombudsman era um trabalho de sete dias por semana. Eu checava meus e-mails de casa nos fins de semana e nas férias. Como experiência jornalística, era sempre importante, interessante e intensa. Ocupar o cargo de ombudsman da NPR talvez tenha sido a melhor experiência jornalística da minha carreira. E eu sei de muitos ouvintes que apreciavam o fato de a rádio assumir o risco de criar e manter este posto, que ocasionalmente e intencionalmente fazia seus jornalistas se irritarem".

O ex-ombudsman diz acreditar que o cargo esteja realmente em perigo nos EUA. Desta vez, entretanto, a ameaça vem da própria indústria. "Quem poderá - e quem irá - argumentar com as organizações de notícias que os ombudsmans são, mais do que nunca, necessários? O público entende por que eles são necessários. Mas nestes tempos conturbados, quem está ouvindo as preocupações do público?".


Fonte: Observatório da Imprensa

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